Mentes que visitam

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Finalmente a saudade foi fotografada!


APOSENTADO TAMBÉM VOTA


Prof. Marcos Coimbra
Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e Autor do livro Brasil Soberano.
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Na edição do dia 07 do corrente deste jornal, a diretora da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social do Rio de Janeiro (Anfip-RJ), Sra. Clemilce Carvalho, apresentou denúncias de elevada gravidade, a seguir: “a soma das desonerações e renúncias fiscais com as aposentadorias rurais, assistência social e Bolsa Família já atingem R$ 200 bilhões. Em vez de serem debitadas da conta do Tesouro Nacional, elas estão sendo financiadas pelo orçamento da Seguridade Social (Previdência, Saúde e Assistência Social). É contraditório o governo não acabar com o fator previdenciário (mecanismo que subtrai até 40% das aposentadorias) e oferecer incentivos ao empresariado à custa da Previdência. Registramos no exercício de 2012 um saldo financeiro de R$ 78 bilhões, que teria sido bem maior sem as desonerações e as renúncias fiscais concedidas – que chegaram a outros R$ 78 bilhões em 2012, ameaçando atingir R$ 94 bilhões este ano, quase 1,9% do PIB.

O pagamento de benefícios rurais, assistenciais e o Bolsa Família, compensação financeira recebida no Orçamento da Seguridade Social, como participação nesses pagamentos, foi ínfima. Na verdade, são encargos do Orçamento Fiscal bancados pela Seguridade Social, somando expressivos R$ 122 bilhões. Se somarmos os R$ 78 bilhões desonerados e renunciados, temos um total de R$ 200 bilhões subtraídos da Seguridade. Que sistema suportaria tamanho desvio, mantendo seus benefícios em dia, sem supressão de direitos? A Constituição de 1988, em seu artigo 201, frisa que a organização da Previdência Social foi concebida com critérios que preservem o seu equilíbrio financeiro e atuarial. Pode ser admissível que se retirem receitas que compõem a base de recursos da Previdência?”.

Existem várias falácias a respeito do assunto, superdimensionadas por empresários gananciosos, interessados em aumentar sua participação na renda interna, seja através da diminuição dos rendimentos pagos aos detentores de renda fixa, seja forçando a criação de novos fundos de pensão, administrados por eles, originários de novas contribuições a serem pagas pelos milhões de trabalhadores obrigados, a partir da mudança das regras do jogo, a contribuir com percentuais adicionais, na tentativa de melhorar suas modestas aposentadorias.

É importante recordar o acontecido nos primórdios da instituição do atual sistema de Previdência Social. Ele foi concebido apenas para garantir a seguridade social, considerando a existência de três contribuições iguais: a do empregado, a do empregador e a do governo. Com o decorrer do tempo, devido à carência do povo brasileiro, aos elevados níveis de desemprego, às ínfimas remunerações, o sistema passou a ser responsável também pela assistência médica e pela assistência social, além de a União nunca ter contribuído com sua parte. Para tentar corrigir esta distorção a atual CF previu várias fontes de financiamento como COFINS, CSLL etc. para arcar com o ônus da responsabilidade.
Nos últimos 50 anos do século passado, apesar de tudo, a previdência conseguiu acumular, segundo o especialista Prof. José Neves, já falecido, mais de um trilhão de reais que, ao invés de serem aplicados corretamente, de acordo com os critérios atuariais, no mercado, para garantir o regime de capitalização, foram desviados pelos diversos governos, ao longo do tempo. Por exemplo, na construção de Brasília, na Transamazônica e outras, o que provocou seu desaparecimento. Também não pode ser esquecido o violento processo de corrupção, de nepotismo, de empreguismo, além da aprovação de medidas demagógicas que, apesar de serem, algumas, louváveis (idosos sem renda, trabalhadores rurais etc.), estão representando acréscimo às despesas, sem nunca terem propiciado um centavo de arrecadação, criadas pelo Congresso, sendo algumas até originárias do Executivo.
Ainda existe o desvio de receitas do orçamento da previdência e a brutal sonegação existente, infelizmente não combatida adequadamente pelos órgãos públicos responsáveis. E a administração petista continua a massacrar os aposentados que ganham mais de um salário mínimo (SM), dando-lhes apenas a reposição da inflação, o que levará daqui a alguns anos a todos os aposentados passar a auferir pouco mais do mínimo, apesar de alguns terem contribuído por até 20 SM e atualmente sobre 10 SM.
Não tentem enganar o povo. As eleições de 2014 já estão aí, para punir os defensores destas reformas prejudiciais ao trabalhador brasileiro, em especial daqueles que apregoam os benefícios de serem aliados da atual administração petista. Afinal, aposentado também vota.

domingo, 6 de outubro de 2013

Diferença entre Engenhosidade e Inteligência

1 - UMA CANETA PARA O ESPAÇO
Quando, antes dos anos 60, a NASA iniciou o envio de astronautas para o espaço, advertiram que as suas canetas não funcionariam à gravidade zero, dado que a tinta não desceria à superfície onde se desejaria escrever.
Ao fim de 6 anos de testes e investigações, que exigiu um gasto de 12 milhões de dólares, conseguiram desenvolver uma esferográfica que funcionava em gravidade zero, debaixo de água, sobre qualquer superfície incluindo vidro e num leque de temperaturas que iam desde abaixo de zero até 300 graus centígrados.
Os Russos, por seu lado, descartaram as canetas e, simplesmente deram lápis às suas tripulações para que pudessem escrever sem problemas.

2 - O EMPACOTADOR DE SABONETES
Em 1970, um cidadão japonês enviou uma carta a uma fábrica de sabonetes de Tókio, reclamando ter adquirido uma caixa de sabonetes que, ao abri-la, estava vazia. A reclamação colocou em marcha todo um programa de gestão administrativa e operacional; os engenheiros da fábrica receberam instruções para desenhar um sistema que impedisse que este problema voltasse a repetir-se. Depois de muita discussão, os engenheiros chegaram ao acordo de que o problema tinha sido desencadeado na cadeia de empacotamento dos sabonetes, onde uma caixinha em movimento não foi cheia com o sabonete respectivo.
Por indicação dos engenheiros desenhou-se e instalou-se uma sofisticada máquina de raios "X" com monitores de alta resolução, operada por dois trabalhadores encarregados de vigiar todas as caixas de sabonete que saíam da linha de empacotamento para que, dessa maneira se assegurasse de que nenhuma ficaria vazia. O custo dessa máquina superou os 250,000 dólares.
Quando a máquina de raios "X" começou a falhar ao fim de 5 meses de operação nos três turnos da empresa, um trabalhador da área de empacotamento pediu emprestado um ventilador de 50 dólares e o apontou para o final da passadeira transportadora. À medida que as caixinhas avançavam nessa direção, as que estavam vazias saíam voando da linha de empacotamento, por estarem mais leves.

3 - O HOTELEIRO de NY
O gerente geral de uma cadeia hoteleira americana viajou pela segunda vez para Seul no lapso de um ano; ao chegar ao hotel onde devia hospedar-se foi recebido calorosamente com um "Bem-vindo novamente senhor, que bom vê-lo de volta em nosso hotel". Duvidando de que o recepcionista tivesse tão boa memória e surpreendido pela recepção, propôs-se que - no seu retorno a New York- imporia igual sistema de tratamento ao cliente na cadeia hoteleira que administrava.
No seu regresso convocou e reuniu todos os seus gerentes pedindo-lhes para desenvolver uma estratégia para tal pretensão. Os gerentes decidiram implementar um software de reconhecimento de rostos, base de dados atualizada dia a dia, câmaras especiais, com um tempo de resposta em micro segundos, assim como a pertinente formação dos empregados, etc., cujo custo aproximado seria de 2.5 milhões de dólares. O gerente geral descartou a ideia devido aos elevados custos.
Meses depois, na sua terceira viagem a Seul, tendo sido recebido da mesma maneira, ofereceu uma boa gratificação ao recepcionista para que lhe revelasse como o faziam. O recepcionista disse-lhe então: “Repare senhor, aqui temos um acordo com os taxistas do aeroporto; durante o trajeto eles perguntam ao passageiro se já antes se hospedou neste hotel, e, se a resposta é afirmativa, eles, à chegada ao Hotel, depositam as malas do hóspede do lado direito do balcão de atendimento. Se o cliente chega pela primeira vez, as suas malas são  colocadas do lado esquerdo. O taxista é gratificado com um dólar pelo seu trabalho"

sábado, 5 de outubro de 2013

A Derrota de Celso de Mello


blog Mateus Simões

Para mim é claro que José Dirceu sempre lutou pela derrubada do sistema em favor de um projeto. No início talvez perseguisse a instalação de um Estado Socialista, mas nos últimos anos era apenas um projeto de poder. Um projeto pessoal, egoísta e corrupto de poder, inflamado por chamas de sucesso do Nacional Populismo de Esquerda de Evo Morales e Hugo Chávez.

Celso de Mello não deve ser misturado com os homens cuja liberdade acabou por garantir. Tenho certeza de que ele acredita ter decidido em favor do Estado Democrático de Direito, em favor da Justiça e dos valores Constitucionais. No entanto, ao votar, garantindo a sensação de impunidade, Celso de Mello selou sua própria derrota e prestou um desserviço ao modelo de Estado que julga proteger. A vitória foi de José Dirceu, que reafirmou a decadência do sistema que ele tanto combate.
Para homens como José Dirceu e sua quadrilha nós somos fracos, incapazes de grandes realizações porque excessivamente cautelosos. Celso de Mello comprovou essa impressão.
Para homens como Celso de Mello a altivez do julgamento segundo o due process são a prova de que nos civilizamos, reafirmando que até a mais vil criatura merece defesa e acesso a recursos. A visão do Ministro, contudo, parece não ter qualquer perspectiva histórica. Ele tinha em mãos os argumentos técnicos para negar os embargos infringentes, tanto assim que cinco dos mais brilhantes juízes do país já haviam votado, apontando a solução. Poderia ter deixado uma contribuição histórica ao país, mas preferiu ceder à vaidade e à necessidade de autoafirmação de uma pseudo-independência que não lhe valerá nada.

José Dirceu pode ir preso ao final, ele sabe disso, mas continuará vitorioso, pois conseguiu demonstrar a ruína de nosso modelo, a sua incapacidade de autopreservação e de reação adequada às agressões. Ele e sua quadrilha terão contribuído, ao final, para desmanchar o alicerce sobre o qual Celso de Mello se apresenta tão confortável. É a própria arrogância da decisão do Ministro que irá lhe custar o sacrifício, é que sem bases que lhe sustentem, o due process acabará sendo atropelado, por passar a ser visto como um entrave. Depois disso, restará aberto o espaço para as mudanças iniciadas por José Dirceu.
Celso de Mello não foi o arauto da justiça, está mais para trombeta do apocalipse, abrindo espaço para a besta. É que em momento de grave desestruturação institucional, prevalecerá sempre a esperteza dos que sabem se aproveitar de um grupo insatisfeito para atropelar o sistema, sem pudor, sem preocupações formais, por puro auto-interesse.

Alguns anos atrás foi o Executivo, com o esquema do mensalão em suas entranhas; semanas atrás o Congresso, com a manutenção do mandato de Donadon; e agora o Judiciário, com a decisão do STF. Um a um, todos os poderes cumpriram seu papel no trajeto da derrubada de um sistema falido, afrontando o país.

Parabéns José Dirceu, você venceu!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

EU TENHO RAZÃO

Esgrimindo esta frase: eu tenho razão,
Desfazem-se os casamentos,
Perdem-se os amigos,
Pais e filhos se afastam,
Os povos vão à guerra,
As discussões se estendem e azedam,
Destroem-se os diálogos,
Matam-se os homens.
Mas quem tem razão?
Razão é uma virtude que só é possuída por quem acredita que não a tem.
Porque, se acredita no contrário, já não a tem.
Pois ninguém tem toda a razão.
Todos têm, da razão, alguma coisa (contanto que falem com mediana razoabilidade).
Em caso de discussão, ninguém tem toda a razão com exclusividade.
Não é possível a ninguém conhecer a verdade completa de todas as coisas, sob todos os aspectos. Vale dizer, de coisa nenhuma.
Somente o Uno, Aquele que tudo conhece e que é a própria Verdade, tem toda a Razão.
E justamente Aquele que tem toda a razão permite que nós também tenhamos a nossa pequena parte da razão.
O importante é respeitar a parte de razão "do outro" – mas sem reticências, com sinceridade.
É preciso reconhecer que o outro pode perceber aspectos que eu não vejo.
Desde que coisas e problemas apresentam diversos ângulos e que eu, a partir da minha perspectiva, não os posso ver todos...
Ninguém tem toda a razão.
Mas todos nós temos, normalmente, uma parcela de razão.
Às vezes maior, às vezes menor. Mas uma parcela.
Quem concede e compreende a razão do outro, aumenta o grau da sua própria razão.
Quem se fecha na sua única razão, amesquinha essa razão. Limita-se. Tem menos razão.
Ao dialogar, é necessário ser compreensivo.
Diálogo compreensivo é o daqueles que tentam compreender a posição contrária, não, porém, a partir de sua própria perspectiva e, sim, a partir da perspectiva contrária.
As coisas, a partir da perspectiva do outro, serão vistas de outro modo.
Surgirá um ângulo que antes não era visto.
Os fanáticos de uma determinada ideologia só enxergam uma única perspectiva, e se negam a ver outra, diferente dessa.
Quanto mais fanáticos são eles, mais se obcecam na própria atitude e menos querem examinar outra, diferente.
Os fanáticos tanto mais se amesquinham quanto maior for o seu fanatismo.
Quanto mais cegos ficarem, menos razão terão.
Os fanatismos podem ser políticos, artísticos, científicos, esportivos, filosóficos, religiosos, nacionalistas, racistas, sociais... e pessoais.
Fanatismo é um tipo de cegueira espiritual.
O único modo de crescer como pessoa e viver mais intensamente é crescer em amplidão de consciência e compreensão do mundo.
Os fanáticos orgulham-se de viver com etiquetas. E, na maioria dos casos, defendem-nas com atitudes cegamente fanáticas.
Aparentemente, o fanatismo é um dos modos de essas pessoas apregoarem a insegurança que sentem.
Elas precisam manter teimosamente suas atitudes de teimosia e rejeição às atitudes alheias porque interiormente reconhecem a pouca consistência de suas idéias.
Tornam-se pequenos ou grandes cegos; pequenos ou grandes "sem razão".
Você, a exemplo do antigo filósofo, seja amigo de Catão, porém, mais amigo da Verdade.
A razão da imensa, da infinita verdade, você a terá: ela será concedida a você na medida em que reconhecer que não está com toda a razão.

*Dario Lostado

(Escritor, professor de filosofia, teólogo e psicólogo espanhol)