Mentes que visitam

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sobre a China

Henry Kissinger foi protagonista de uma das mais surpreendentes guinadas da diplomacia internacional da segunda metade do século XX: a reaproximação entre Estados Unidos e China. Embora a história seja conhecida, ela ganha frescor (e polêmica) na versão de Kissinger, que a narra entremeando ousados lances de suspense, reveladoras conversas de bastidores e estudados movimentos de xadrez político.

“Sobre a China” é uma obra ambiciosa. Abarca quase toda a história chinesa, fazendo a ponte entre o remoto passado imperial e a potência econômica da atualidade. Sobre as origens daquela sociedade tão enigmática aos olhos ocidentais, no entanto, o autor não tem nada de novo a dizer, embora os capítulos que tratam do período anterior à revolução comunista de 1949 sejam úteis ao leitor que quiser, por exemplo, um resumo sobre o papel do confucionismo na política chinesa.
O livro ganha vida própria a partir da abordagem do governo de Mao Tse-tung, mas só irá dizer a que veio com a narrativa do encontro secreto em Pequim, em 1971, entre o autor, então secretário de Estado americano, e o premiê chinês Chou En-lai. A reunião, que iria deixar marca indelével nas relações entre as superpotências, ocorreu sob o signo da improbabilidade. Representantes de regimes antagônicos, Estados Unidos e China não mantinham relações diplomáticas havia duas décadas, situação agravada por sérias pendências pontuais, como o fato de os americanos estarem em guerra com o Vietnã, um aliado da China.
Pois foi em meio a esse contexto adverso que Kissinger, incumbido pelo presidente Richard Nixon, pegou um avião e foi se encontrar sigilosamente com lideranças chinesas, não sem antes fazer escalas “planejadas para serem tão tediosamente prosaicas que a mídia parasse de acompanhar nossos movimentos”. A aproximação foi bem-sucedida e, em 21 de fevereiro de 1972, sete meses depois da visita confidencial, Nixon chegou a Pequim para o aperto de mãos que entraria para a história.
O que viabilizou tal iniciativa, e o que a explica? Um aspecto que Kissinger não explora é o fato de o republicano Nixon ter sido um extremado anticomunista, mesmo para os padrões americanos. Talvez só um presidente suficientemente duro com o inimigo pudesse se dar ao luxo de fazer um gesto de aproximação sem correr o risco de transmitir uma sensação de fraqueza. Kissinger, porém, passa ao largo dessa consideração, registrando apenas que o “inveterado anticomunista [...] percebera uma oportunidade geopolítica e a agarrara intrepidamente”.
O autor prefere se debruçar sobre as motivações do acordo. Se Kissinger tivesse que resumir as quase 600 páginas de seu livro em uma única palavra, provavelmente ele ficaria com “pragmatismo”. Foi sob a égide de interesses recíprocos, desvinculados de qualquer disputa ideológica, que os defensores do capitalismo e do comunismo posaram sorrindo para a posteridade.
O maior interesse em comum era enquadrar a União Soviética. Em plena Guerra Fria, os soviéticos não apenas representavam uma ameaça em potencial para o Ocidente como demonstravam a intenção de atacar o país vizinho. Sozinha, a China era vulnerável; com o apoio dos Estados Unidos, passou a ser intocável. Quanto aos Estados Unidos, a cobertura oferecida à China brecou uma eventual expansão do comunismo soviético, o que colocaria em risco o frágil equilíbrio de forças inibidor de um confronto direto entre as superpotências. Além disso, como se fosse um bônus – embora o autor não coloque a vantagem extra nesses termos -, o presidente desviaria a atenção do público interno do fiasco da guerra do Vietnã.
Nixon renunciou em 1974, Mao morreu em 1976 e a União Soviética foi extinta em 1991, mas a cooperação que os dois políticos inauguraram sobreviveria, ajudando a moldar o cenário internacional atual. A China já vinha crescendo economicamente com consistência desde o início dos anos 70, mas, como Kissinger aponta corretamente, o divisor de águas ganhou um símbolo com a visita que o líder Deng Xiaoping fez aos Estados Unidos em 1979. Sob o chapéu de caubói num churrasco no Texas, a cabeça de Deng formulava o conceito de socialismo de mercado, que até hoje rege a política chinesa. E não foram só ideias que ele levou dos Estados Unidos, mas valiosos contratos com grandes corporações, que nos anos seguintes se instalaram na China, contribuindo para fortalecer ainda mais a economia do país.
Kissinger pertence àquela rara estirpe de políticos que escrevem bem. Não chega a ser um Winston Churchill – o premiê britânico cujos relatos elevam o memorialismo à condição de literatura -, mas sabe contar uma boa história, mesclando, às vezes numa mesma frase, anedota, fato e análise, tudo vazado num estilo híbrido que fica no meio do caminho entre a reminiscência e a reflexão.
O acordo diplomático que lhe garantiu um lugar na história, no entanto, não está imune a críticas. A maior delas diz respeito ao elevado custo para os Estados Unidos. Além de dar um empurrão no monstro econômico que hoje ameaça lhes fazer sombra, os Estados Unidos abriram mão, sempre em nome do pragmatismo, de atuar de acordo com seus princípios democráticos. Para ficar num único campo, os americanos passaram a contemporizar com violações dos direitos humanos na China. Em 1989, por exemplo, quando centenas de manifestantes foram mortos na praça Tiananmen por forças do governo, os Estados Unidos impuseram sanções a Pequim, mas continuaram tratando os chineses como “amigos”.
Kissinger fica a um passo de justificar a violência, atitude incompatível para alguém que, em 1973, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. “A ocupação”, escreve ele, “ainda que completamente pacífica, é também uma tática para demonstrar a impotência do governo, para enfraquecê-lo e desafiá-lo a atos intempestivos, deixando-o em posição de desvantagem.”
Kissinger também não economiza elogios ao falar dos políticos chineses que foram seus interlocutores, inclusive Mao, responsável por execuções em massa. A escorregada tem um agravante, pois Kissinger não é um observador isento. Como presidente de uma consultoria internacional, ele tem grandes interesses econômicos na China.
“Sobre a China” pode ser uma tentativa de justificar as opções e edulcorar o legado do pai das relações sino-americanas, mas, com os devidos descontos, é também leitura da qual se emerge com uma percepção mais realista da política internacional.
O autor, Oscar Pilagallo, é jornalista e autor de “A Aventura do Dinheiro” (Publifolha).

Habitante Irreal


Durante seis anos, Paulo Scott, 45, arquitetou um manifesto contra os resultados produzidos por sua geração no poder. O “libelo”, concebido em forma de romance, se chama “Habitante Irreal” e é seu primeiro livro pelo selo Alfaguara.
Gaúcho radicado no Rio há dois anos e meio, Scott aborda a sua desilusão com a passagem dos contemporâneos pela política. Hoje, são homens e mulheres entre os 40 e os 50 anos que, na década de 80, eram jovens contestadores, idealistas e ousados. Para Scott, não foram capazes de mudar as coisas. “A minha geração falhou as outras.”
Nesse romance de contestação, não é à toa que um dos protagonistas seja homônimo do autor. “Não faço uma crítica apenas aos meus amigos e ex-colegas que hoje são pessoas importantes no governo, no Judiciário e na grande imprensa. Faço uma crítica a mim mesmo”, afirma.
Paulo -o do livro- tem 21 anos e é militante do PT. Cansado da vida política, encontra uma índia de 14 anos que vive com a família à beira de uma estrada e, subitamente, se encanta por ela.
O ano é 1989. O rapaz reencontra na menina a esperança e a razão de viver. Ela se torna um desafio, alguém que ele busca ajudar por conta própria, à revelia do Estado.
“Minha indignação com a invisibilidade a que são relegados os índios se tornou outro grande motivo para escrever o livro”, conta. A relação entre o partido do jovem (que foi também o de Scott até a metade dos anos 90) e as políticas indígenas no Brasil está presente no romance.
Scott deixa “muito claro” que a história do protagonista não é a dele. “Não sou tão ingênuo nem tão corajoso quanto o Paulo do livro. Ele é uma criança que brinca de mudar o mundo. Na política, só restaram os que tiveram estômago e coragem. Os mais puros caíram fora.”
Fama jurídica
 
Depois da militância política no PT e no Diretório Central de Estudantes da PUC-RS (do qual foi presidente em 1986, enquanto estudava direito), Scott fez mestrado e lecionou direito econômico durante dez anos na universidade em que se graduou.
Após a publicação de um certo livro, Scott ganhou projeção no meio literário. No meio literário da área jurídica, bem entendido.
“O Planejamento e o Papel do Estado como Agente Normalizador da Atividade Econômica do Setor Privado”, sua dissertação de mestrado, tornou-se referência logo de sua publicação. Um dos avaliadores do trabalho de Scott foi o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Eros Grau.
“Foi um estudo importante na época, pioneiro, obra de referência por anos. Mas hoje já está bastante desatualizado”, diz Scott.
Apaixonado por poesia, o escritor viu seu nome começar a circular para além das letras jurídicas ao publicar, em 2003, a coletânea de contos “Ainda Orangotangos” pela extinta editora Livros do Mal. Três anos depois, a Bertrand Brasil obteve os direitos da obra e a relançou.
Em 2008, o longa de 81 minutos “Ainda Orangotangos” estreou nos cinemas com um virtuosismo que chamou a atenção da crítica: era todo filmado em um único plano-sequência, sem cortes.
E mais um trabalho de Scott deve migrar para a sala escura em breve. A produtora RT Features adquiriu há pouco os direitos de adaptação do romance “Voláteis”.
Fonte: Guilherme Brendler / Folha de S.Paulo
Problemas em bom livro não encobrem sua engenhosidade
“Habitante Irreal”, de Paulo Scott, está longe de ser um livro comum.
A história começa no final dos anos 80, em Porto Alegre, com Paulo, um jovem militante desiludido que se envolve com uma menina índia e chega, após uma longa série de desdobramentos, próximo ao nosso presente histórico, passando, nesse meio tempo, por Londres e por uma série de Estados brasileiros.
Em um movimento que lembra um pouco uma estratégia usual em romances de Ian McEwan (como “Reparação” e “Solar”), Scott estabelece, logo de início, um momento de grande intensidade que transforma tudo, e deixa, com engenho, que ele reverbere longamente nas vidas de todos aqueles que, de algum modo, tiveram ou viriam a ter algo a ver com o ocorrido.
O senão da obra é que existe um incômodo descompasso entre o longo alcance daquilo que é narrado e a forma como essa narração se desenrola, seja pela inclusão meio despropositada de certos personagens que entram e saem da trama, seja por eventuais alternâncias de foco que resultam forçadas, seja, principalmente, por um uso da linguagem menos ambicioso que o material apresentado parece pedir.
E que surge, de vez em quando, como no trecho a seguir -numa espécie de inteligência específica da frase que teve, por exemplo, em Saul Bellow um mestre-, indicando ao leitor que algo mais poderia estar acontecendo ali: “Não está conseguindo lidar com essa disponibilidade dele, com sua dedicação, com as surpresas renovadas em prazos cada vez mais curtos, enquanto seus gestos e atitudes elétricas, convencidas, o distanciam rápido demais do dia e hora em que ela mais o adorou. Paulo se distancia por não conseguir ficar no presente. O presente é um fardo, não pode servir de instrumento.”
O senão não altera o fato, contudo, de que, ao término da leitura, àquela sensação de quase luto inevitável que o fim de um bom livro sempre traz, soma-se a impressão de que seria o caso de começar a ler de novo.
 
Adriano Schwartz, o autor deste artigo publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo, é professor de literatura da ECA-USP (Escola de Artes, Ciências e Humanidades).

Dalí, Lorca e Buñuel


 

Em seu livro de memórias, Meu último suspiro, o cineasta Luis Buñuel (1900-1983) registra sua passagem pela Instituição de Ensino Livre de Madri:
Fui matriculado na Residência dos Estudantes, onde permaneceria durante sete anos (1917-1925). São tão ricas e vivas minhas recordações dessa época que posso dizer, sem medo de errar, que sem a Residência minha vida seria outra.
Esta pequena universidade, calcada nos moldes de Oxford e Cambridge, foi fundada em 1910 e tornou-se uma das iniciativas educacionais mais importantes da Espanha moderna. Dirigida por Alberto Jiménez, homem de vasta cultura, a Residência contava com salas de conferências, vários laboratórios, biblioteca sempre aberta para os estudantes bem como vários campos de esporte. Os alunos, se quisessem, podiam mudar de disciplina no meio do curso. Foram apoiadores incondicionais da Residência, Miguel de Unamuno, José Ortega y Gasset e o poeta Juan Ramón Jiménez.
Os mais distinguidos conferencistas da época passaram pela Residência: H.G. Wells, G.K. Chesterton, Albert Einstein, Marie Curie, Le Corbusier, François Mauriac, Blaise Cendrars, Paul Claudel e John Maynard Keynes.
No campo musical a Instituição de Ensino recebeu Manuel de Falla, Andrés Segovia, Wanda Landowska, Darius Milhaud, Igor Stravinski, Francis Poulenc e Maurice Ravel.
Os cursos mais disputados eram Medicina, História Natural, Agronomia, Engenharia, Filosofia, Letras e Belas Artes. Esta inovadora instituição de ensino laica foi extinta a partir da guerra civil de 1936.
Dois anos após o ingresso de Buñuel, juntaram-se a ele Federico Garcia Lorca (1898-1936) e Salvador Dalí (1904-1989). Desde seu ingresso, Dalí era considerado o excêntrico da comunidade. Já Lorca, proveniente de Granada, viera recomendado por seu professor de sociologia. Com um livro em prosa publicado – Impresiones y Paisajes – era inteligentíssimo, encantador, elegante. Viera estudar Filosofia, mas logo foi desertando das aulas para se lançar na vida literária. Seu quarto, na Residência, tornou-se um dos pontos de encontro mais concorridos de Madri.
Buñuel recorda em seu livro: Nossa amizade, que foi profunda, data de nosso primeiro encontro. Embora tudo opusesse o aragonês tosco e o andaluz requintado – ou talvez em virtude desse contraste -, estávamos quase sempre juntos. Lorca me fez descobrir a poesia, sobretudo a espanhola, que conhecia admiravelmente, e também outros livros.
Filho de um notário de Figueras, na Catalunha, Salvador Dalí apareceu na residência três anos depois de mim. Queria dedicar-se às belas artes. Passando uma manhã num corredor da Residência e vendo aberta a porta de seu quarto, dei uma olhada. Estava dando os últimos retoques num grande retrato que me agradou muito. Contei imediatamente a Lorca e aos demais. Todos se dirigiram ao seu quarto, admiraram o quadro, e Dalí foi admitido em nosso grupo. Para falar a verdade, tornou-se ao lado de Federico, meu melhor amigo. Nós três não nos separávamos, ainda mais que Lorca nutria uma verdadeira paixão por ele.
Quis o destino que Buñuel, Dalí e Lorca tivessem seus caminhos cruzados na Residência. Cada um deles se transformaria num gênio de sua vocação. Buñuel como cineasta, Dalí como pintor e Lorca na poesia e literatura.
Em 1925, Dalí e Buñuel foram para Paris, já que a Espanha se tornara pequena para eles. Em 1929 eles produziram o roteiro do filme Un Chien Andalou (Um Cão Andaluz) com montagem de Buñuel. Lorca permaneceu na Espanha, para melhor conhecer as paisagens, o folclore e a música de seu país. Data desta época o início de uma de suas mais conhecidas obras, o Romancero Gitano.
Buñuel e Dalí viveram até a velhice fato que possibilitou desfrutarem dos avanços técnicos e científicos do século XX, tais como as inovações nos meios de transporte, nos meios de comunicação, os avanços da física e da energia nuclear, a descoberta dos antibióticos e dos plásticos. Assistiram a duas guerras mundiais e ao surgimento do marxismo e da psicanálise.
Já o destino foi cruel com Lorca. Ao eclodir a guerra civil, a guarnição de Sevilha foi entregue ao fanático general Gonzalo Queipo de Llano, que desencadeou o terror na Andaluzia, especificamente em Granada, cidade dominada pelos falangistas. No dia 16 de agosto, Lorca, então com 38 anos foi aprisionado e conduzido para a guarnição militar de Víznar. Na madrugada do dia seguinte, o poeta, o professor Dióscoro Gonzáles e mais dois anarquistas, foram fuzilados sob a alegação de que eram comunistas subversivos. O holocausto de Granada foi perpretado sob as oliveiras de Víznar, oportunidade em que mais de dois mil republicanos foram mortos nos primeiros meses do levante.

Recomendo aos leitores que desejarem se aprofundar na vida destes três personagens ímpares, a leitura dos seguintes livros:

Meu último suspiro, de Luis Buñuel (Cosacnaify, 373 páginas). É mais a história de uma vida do que uma autobiografia. Luis inicia a narrativa abordando sua infância em Calanda. A seguir descreve seus melhores momentos da juventude, passados na Residência, a experiência parisiense, a guerra civil na Espanha, o exílio no México e sua trajetória como cineasta.

Salvador Dalí, enamorado de si mismo, de Fidel Cordero (Edimat Libros, 187 páginas). Pensar em Dalí é evocar a figura extravagante de um personagem que encarnou a imagem vulgarizada de um artista contemporâneo, ególatra e exibicionista. Mas esta biografia também é valiosa ao evocar sua irmã Ana Maria e sua esposa Gala, sua musa, chave de sua vida como de sua obra. Gala representou para Dalí o que Cosima representou para Wagner. A obra também evoca o surrealismo e a idade de prata das letras na Espanha.

Vida, Pasión y Muerte de Federico Garcia Lorca, de Ian Gibson (Editora DEBOLSILLO, 813 páginas). Este irlandês, naturalizado espanhol, é o responsável por esta criteriosa biografia de Lorca, bem como sobre o panorama cultural e político da Espanha, nas primeiras décadas do século XX. Após escrever a Repressão nacionalista em Granada em 1936 e a morte de Lorca, teve sua obra proibida pelo franquismo. Em 1978 passa a morar em Madri, ocasião em que dá início à biografia do poeta Andaluz. Dos três personagens citados nesta matéria, Lorca sem dúvida foi o maior. Uma pena ter morrido aos 38 anos. Também foi um grande músico e intérprete de piano e órgão. Chegou a compor algumas músicas em parceria com de Falla. Sua peça teatral Yerma, foi transformada em uma ópera.

Universidades europeias querem atrair brasileiros

 



Não são apenas as escolas de negócios internacionais que estão disputando estudantes brasileiros. Nos últimos meses, o país está atraindo também a atenção de universidades e instituições governamentais europeias interessadas em garimpar potenciais candidatos na região. Sofrendo com a escassez de alunos, especialmente na área de ciências exatas, as universidades do Velho Continente se animaram com o investimento do governo brasileiro no programa “Ciência sem Fronteiras”, que prevê a concessão de bolsas de estudo para alunos do país interessados em seguir carreira em programas como tecnologia e engenharia.
A gradual queda no número de alunos nas faculdades europeias, agravada pelo envelhecimento da população, é outro ponto que está fazendo muitas instituições reforçarem seus planos de internacionalização – e o Brasil está entre os mercados mais visados. Na avaliação de Éric Froment, presidente fundador da Associação das Universidades Europeias (AUE) e ex-reitor da Universidade de Lyon, o interesse pelo país é uma espécie de ‘moda’ entre as instituições. “O Brasil está em evidência, mas sofre com a falta de talentos e tem uma enorme população que ainda não foi à universidade.”
“Uma de nossas metas é fazer com que o público brasileiro tenha interesse em estudar na Europa. Queremos que nossas instituições se tornem cada vez mais conhecidas entre os estudantes”, afirma Christian Müller, diretor do escritório regional do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD, na sigla em alemão). Ele foi um dos organizadores do primeiro Salão Europeu de Pós-Graduação, que no último mês reuniu 70 instituições de 12 países em São Paulo – muitas pela primeira vez no Brasil. Segundo ele, mais de 50 universidades da Alemanha devem participar do “Ciência sem Fronteiras”.
O programa gerou interesse também em outras escolas do continente, muitas delas tradicionais formadoras de engenheiros e técnicos. É o caso da Alemanha, mas também de países como a Suécia, a Finlândia e a Polônia, que enviaram delegações ao evento. “O número de brasileiros ainda é pequeno nas nossas universidades e temos a intenção de aumentá-lo. Temos muito a oferecer aos alunos do país em ensino nas áreas de engenharia e inovação”, afirma Pierre Liljefeldt, oficial de diplomacia da Embaixada da Suécia.
Na Polônia, a falta de engenheiros nas universidades fez o governo investir na atração de mulheres para carreiras em áreas mais técnicas. Bianka Siwinska, líder do projeto Girls in Engineering & Science, afirma que nos últimos quatro anos a iniciativa conseguiu colocar dez mil mulheres a mais no ensino superior. Os esforços para conquistar alunos, porém, não se concentram apenas no estímulo à diversidade de gênero, mas também na de nacionalidades. “Nossas universidades estão trabalhando na divulgação dos programas e na atração de candidatos em todo o mundo”, afirma.
Há cinco anos, as atenções das instituições educacionais europeias ainda estavam direcionadas principalmente para os países asiáticos. Segundo Éric Froment, da AUE, aos poucos elas foram se voltando para mercados igualmente promissores como a América Latina. A Holanda, por exemplo, aposta em uma cooperação universitária para aumentar o intercâmbio acadêmico com o Brasil. Uma prova disso é a abertura, em 2008, de uma representação local do Nuffic Neso, agência de promoção ao intercâmbio educacional daquele país. Remon Daniel Boef, diretor da instituição, afirma que o movimento foi motivado pelo destaque brasileiro na economia global, somado a um forte processo de internacionalização das universidades holandesas. “Além disso, temos uma política de estímulo à diversidade cultural que privilegia a atração de talentos globais”, diz.
Na The Hague University of Applied Sciences, sediada em Haia, capital do governo holandês, são apenas 40 brasileiros em um universo de 23 mil estudantes, mas o objetivo é aumentar esse número. A universidade tem vindo ao país periodicamente desde 2008 para reforçar parcerias e atrair estudantes. “Tivemos um pequeno aumento de alunos do país, mas sabemos que esse é um trabalho de longo prazo”, afirma Joey Uijleman Anthonijs, oficial senior de recrutamento e relações internacionais da The Hague University.
O principal desafio para essas instituições no Brasil, no entanto, está relacionado à reciprocidade. “Elas devem se preocupar menos em atrair estudantes e mais em promover troca de conhecimento e cooperação. Isso deve incluir uma política consistente para também enviar estudantes europeus ao Brasil”, afirma o presidente da Associação das Universidades Europeias. “Atrair alunos a qualquer custo soa muito comercial e nada sustentável para as instituições. O comprometimento deve ser permanente”, ressalta.
Fonte: Vívian Soares

domingo, 18 de dezembro de 2011

SOS: O planeta está morrendo

Caros amigos,

Nosso planeta está morrendo e grandes empresas de petróleo estão colocando nações importantes no bolso e impedindo qualquer chance de um tratado climático. Temos 3 dias até o fim das negociações da ONU acabarem -- vamos clamar à União Europeia, Brasil e China que sejam nossa liderança rumo a um acordo para salvar o planeta! Clique aqui para assinar a petição urgente:

Nossos oceanos estão morrendo, nosso ar está mudando, e nossas florestas e matas estão virando desertos. Dos peixes e plantas à vida selvagem e seres humanos, estamos rapidamente matando o planeta que nos abriga. Há uma única grande causa dessa destruição do mundo natural: as mudanças climáticas. E nos próximos 3 dias temos uma chance de impedir isso de acontecer.
O tratado da ONU sobre as mudanças climáticas -- nossa melhor esperança para ação contra esse problema -- expira no ano que vem. Mas uma coalizão gananciosa de países dominados pelo petróleo e liderada pelos EUA está tentando acabar com esse tratado para sempre. É difícil de acreditar: eles estão trocando o lucro em curto prazo pela sobrevivência do nosso mundo natural.
A União Europeia, Brasil e China estão em cima do muro -- eles não são escravos das empresas de petróleo como os EUA são, mas precisam ouvir um chamado para ação massivo do povo antes de realmente liderarem financeira e politicamente a discussão para salvar o tratado da ONU. O mundo está reunido na conferência climática pelos próximos 3 dias para fazer uma grande decisão. Vamos enviar aos nossos líderes um clamor massivo para que eles se posicionem contra o petróleo e salvem o planeta -- uma equipe da Avaaz na conferência vai entregar nosso clamor diretamente:
http://www.avaaz.org/po/the_planet_is_dying/?vl

A situação está ficando desesperadora -- por todo o planeta, condições extremas do clima continuam a ultrapassar os registros, deixando milhões de pessoas nas ruas, sem comida ou abrigo. Estamos rapidamente chegando no ponto em que não haverá retorno das mudanças climáticas -- temos apenas até 2015 para começar a reduzir drasticamente nossas emissões de carbono.
Apesar dessa urgência real, o mundo falhou em se mobilizar contra a democracia dos EUA, dominada pelos combustíveis fósseis. Não contentes com a destruição das negociações de Copenhague e do Protocolo de Kyoto, agora eles estão construindo uma coalizão de destruidores de tratados climáticos para colocar o último prego no caixão das negociações internacionais na África.
Nossa única esperança de mudar esse jogo está com a Europa, Brasil e China -- eles podem fazer esse acordo se tornar realidade, mas precisam atuar juntos, e é aí que entramos. A Europa está cansada, já lutou dura e longamente a favor do clima e precisa de um apoio público. A China já concordou em metas legalmente vinculativas e é sensível com sua reputação internacional, podendo assumir essa liderança no futuro se a encorajarmos. O Brasil vai realizar a próxima Conferência da Terra no ano que vem -- e isso lhe deixa o país impaciente para preparar o mundo para o sucesso do clima. Vamos criar um clamor gigante e global para unir esses campeões do clima e criar a equipe verde dos sonhos. Assine a petição agora e, em seguida, encaminhe esse email:
http://www.avaaz.org/po/the_planet_is_dying/?vl

O foco insano no lucro em curto prazo, que motiva os países a atravancarem a ação contra a crise climática que literalmente ameaça a sobrevivência de todos nós, não pode ser tolerado. Felizmente, nosso movimento tem o poder para intervir nesse processo e demandar uma mudança de posição. Vamos nos unir e inspirar outros a fazerem o mesmo em prol de um mundo mais humano e seguro.
Com esperança e determinação,
Luis, Emma, Ricken, Iain, Antonia, Morgan, Dalia, Pascal e o resto da equipe da Avaaz

Mais Informações:
China se dispõe a aceitar novo pacto climático; EUA não cedem (Terra)
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5504522-EI19408,00-China+se+dispoe+a+aceitar+novo+pacto+climatico+EUA+nao+cedem.html
COP-17: União Europeia tenta atrair EUA e emergentes para acordo em 2015 (Rede Brasil Atual)
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/ambiente/2011/12/cop-17-uniao-europeia-tenta-atrair-eua-e-emergentes-para-acordo-em-2015
Brasil se diz otimista com desfecho em reunião do clima (BBC Brasil)
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111206_cop17_durban_is.shtml
Aumenta pressão para acordo na Conferência Climática da ONU em Durban (AFP)
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5jrh-zLW9GdUmMO3HRyhknjrLprRQ?docId=CNG.9e09d9bfead2abd076ea5953e0edc930.01
Durban: Última oportunidade para salvar o Protocolo de Quioto? (Euronews)
http://pt.euronews.net/2011/12/05/durban-ultima-oportunidade-para-salvar-o-protocolo-de-quioto/


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